terça-feira, 22 de maio de 2007

BANANADA 2007: Ressaca Eterna.

Sexta-Feira

Se as longuíssimas 12 horas de ônibus para Goiânia me pareceram poucas, deve ter sido pela ansiedade de participar mais uma vez desses rocks doidos que rolam na capital do Goiás.
Chegamos de manhã, onde já nos encontramos com a galera do Coletivo Rádio Cipó e o grande Mestre Laurentino (82 anos de rock and roll), e rumamos para o hotel tudo isso coordenada pela ótima equipe de receptivo do festival.

(essa é a cara de quem viaja 12 horas pra ver rock.)

Almoçamos o que há de melhor da comida regional e já ali sacamos uma galera que não conhecíamos e outras das antigas. Daí pra frente foi tudo um “mix de emoções” (parafraseando o Rui, do rádio cipó), um monte de bandas, de gente, de jornalistas, produtores e roqueiros doidos pra todo lado. “Que banda tu toca?”, “De qual cidade?”: perguntas desse tipo deram inicio a várias conversas na tarde dessa última sexta.
Chegando ao festival só deu tempo de ver Sangue Seco, banda punkona de Goiânia mesmo, Eduardo Mesquita o engraçadinho inimigo do rei é o frontman dessa parada louca e engraçada, puta show legal com homenagem das grandes tocando dig up her bones no final.

(Sangue Seco, punk rock quase teatral.)

Aí foi a vez do Dimitri Pellz mostrar à que veio. É claro que de cara o Luiz estourou uma corda, mas nada que não fosse resolvido, continuando assim, o que vários depois chamaram de grande surpresa de sexta-feira do festival. Não que os campo-grandenses não reconheçam a genuinidade da banda, mas foi muito bonito ver ao longo do show os goianos e os demais presentes delirando com as citações kerouack e bukowiskiana. Tá, grande parte do delírio se deu pela simpatia de praxe da Maíra, né?
(Maíra Espindola conta piadas ao público durante shwo de Dimitri Pellz)

Depois de todo êxtase de entrevistas filmagens e elogios para o Dimitri, consegui ainda pegar um pedaço do show dos cariocas do Super Hi-Fi, mó rockão louco, eu que perdi motorhead há alguns dias atrás, tive uma dose de rock boa ali naquela hora. Ouvindo a frase que seria repetida várias vezes no resto dos dias: “O FILHO É TEU PORRA!”.
Naquela lenga lenga de tomar cerveja e rever velhos amigos, só consegui ver 1 música do devotos, a velha e famosa “Eu Tenho Pressa”. Não sou fã da banda, mas o público foi um show a parte, caloroso pra caralho a todo tempo.
E agora, como arranjar palavras pra descrever o Mestre Laurentino, que foi a maior atração do festival? Oitenta e dois anos de rock and roll, o homem que já viajou o mundo tudo mas não vai à América! Oitenta dois anos, cachaçando, dançando e fazendo stage dive em vários shows até o fim dos shows. Esse é o grande cara que os camaradas paraenses do Coletivo Rádio Cipó tem na mão. Uma grande figura!
Shakemakers é uma puta festa ao melhor estilo goiano, aliás isso é o que eles melhor sabem fazer.
Marcio Jr. Com seu clássico terno de veludo encabeçou o melhor show da noite, opinião que eu compartilho com a maioria, com certeza. Eu não tinha nem idéia do que seria essa nova “fase” do Mechanics, com novo guitarrista e cd lançado junto com livro. O que eu posso dizer? O supra sumo do rock and roll. Marcio, Little John, Jaime, o novo guitarrista e o publico inteiro perderam a cabeça e o juízo antes da coisa começar. Quem viu, viu. E no fim, bis com “sexy misery machine”, formando um puta puteiro no palco com todos ali presentes.


(Mechanics foi o melhor da primeira noite.)

Depois disso, só me permito dizer que tomei o pior whisky do mundo com ótimas companhias, noite a dentro no hotel.

Sábado
Graças ao péssimo whisky, não consegui acordar pro almoço que mais parecia uma confraternização de roqueiros, e fui salva pela Maíra que me trouxe uma bela marmita de Feijoada pro hotel.
Alimentada e revigorada, fui caçar o que fazer, e lá estávamos nós reunidos à beira da piscina do hotel, quase nos sentindo rockstars. Quem passou tarde conosco também foi o Marcio da Rolling Stone, a galera do 2fuzz do ceará e os caras da trama virtual, todos visivelmente ressaqueados.
Chegando ao segundo dia de festival, dei uma sacada na galera do 2fuzz, rock alternativo muito bem tocado.
Depois rolou a banda com o material gráfico mais do caralho, eu vi no festival Black Drawing Chalks, que não deixou nada a desejar com o show também.
A piada mais contada simultaneamenta da história do rock foi: “vamos ver o vamoz?”.
Infame eu sei, mas até ali, entrei no clima da piada e fui ver a banda de recife, que confesso, não tinha feito muito minha cabeça em 2003. E aí, a surpresa aconteceu, o chamado “Damned rock and roll” dos Vamoz pega fogo MESMO! Pau duríssimo, show de rock até o fim, totalmente diferente do que eu lembrava do show de 4 anos atrás.
“Nasceu o Leãozinho” foi a piada e apelido carinhoso aos Born a Lion que vieram direto de Portugal, sabe-se lá esperando encontrar o que, e o que eles tiveram foi a mostra de como o público goiano e brasileiro é caloroso. Para retribuir, fizeram o melhor show da noite e segundo melhor do festival. Eu que não fazia idéia do que esperar, recebi uma explosão de garage/primitve blues/loucura sei lá das quantas de um baterista que é vocalista e que tem muito mais energia do que qualquer frontman por aí. Em conversas posteriores, descobri que o Legendary Tiger Man participou da gravação cd dos Leões e entendi beeeeem suas influências.

(Born a Lion, onde o frontman é na verdade "backman", baterista, vocalista, gaitista e performatico.)

Depois do furacão dos Leões Portugueses, só tive fôlego pra ver o MQN, aquela formula de goianos+rock+putaria+diversão+loucura, tava só começando e aí veio o Fabrício Nobre com seu quase “exercito” roqueiro. Nego cai no chão, levanta, rola, grita, dança, descamba loucura em geral no dia seguinte tem até stage dives filmados aparecendo nos “youtubes” da vida. Nada que seja novidade pra quem já é fã de MQN há algum tempo.
Mais outra noite no hotel, dessa vez com Vodka boa, cerveja ruim, pelo menos a ressaca foi bem menor.

Domingo
O que não salvou de me acordarem ao som de UDR e com o sol goiano diretamente na minha cara, bando de filho da puta! Depois de mais um almoço cheio de delícias regionais, fomos passar o tempo no hotel, de novo na piscina, onde a conversa foi chegar até no espiritismo e vida alienígena, graças a galera da bizz e os born a lion, todos em trajes de banho. Onde foi eleita a melhor receita de cura ressaca do festival: Sauna, Ducha, Piscina e por aí vai. Eu que não sou muito corajosa não comprovei.
Cheguei no Martin Cerere direto pra ver o show da paulista Slot, que mais parece banda vinda lá do outro lado, bando de japoneses loucos, tocando uma sonzeira bem legal com direito a uma cover do supersuckers. Obrigada pela indicação, Eline!
Galinha Preta, hardcore de Brasília. Pra quem ta acostumado a ver DFC, Deceivers, Macakongs, foi fácil ver Galinha Preta, pois eu já sábia que em Brasília a negada sabe do que ta falando. Show muito bom e engraçado.

(Galinha preta, que parafraseou o grande Jeremias José durante seu show: "Tomá cachaça, carai!")

Perdi algumas várias bandas e fui parar direto no show do Elma(SP), por causa de outra indicação vinda do Pulga. Banda instrumental pesadíssima, público atônito vendo aquela loucura, com o baterista de movimentos e viradas simples, mas totalmente insano.

(Elma, uma das melhores surpresas do festival.)

Daí pra frente foi só coisa bonita. Eu como boa fã, fui para pertinho do show da Graforréia Xilarmônica, os gaúchos que eu nem tinha muita esperança de ver. Que show mais bonito, e apesar de não ter tocado “Baby” (minha favorita), o Martin foi abaixo com os “hits” “Eu”, “Bagaceiro Chinelão” e “Amigo Punk”.

(Frank Jorge da Graforréia Xilarmônica, é o coordenador do primeiro curso sequencial de Rock do Brasil.)

Tive que perder a última música da Graforréia por um ótimo motivo: Me colocar pertinho do show de Daddy-O Grande & The Dead Rocks. Não, não eram os Straitjackets, mas foi tão alucinante quanto. Ali sim, o melhor show do Bananada 2007. Os Dead Rocks são tão teatrais que dão um show a parte. “Sleepwalk” foi um clima de confraternização coletivo, coisa bonita de se ver. Acabou o show do Daddy-O, depois de um bis implorado por todos do público.

(Dead Rocks se fez a melhor companhia para Daddy-O Grande nessa turnê.)

Era hora de ver o quão insano o menino João Lucas é, e sai de perto quem não quer energia. Porque Johnny Suxxx and the Fucking Boys é energia e rock de sobra. Tanto, que não sobrou quase nada de mim.
E o que sobrou a Rollin Chamas fez questão de tirar sem dó nem piedade. “Sou goiano e FODA-SE!” é o lema desses loucos que tiveram até churrasco ali, no palco, liderados por aquele vocalista que parece um Marc Bolan louco do cerrado.

(Danny a.k.a. Daddy-O Grande e eu num momento quase fã.)

Fui embora extasiada da última noite de festa. Tomando cerveja e trocando receitas no quarto de hotel, terminei minha estadia em “Goiânia Muito Rock City”.

(Bruno e Paulo, Pai e filho. Quem disse que Europeué tudo frio?)

Obrigada aos Goianos, Fabrício Nobre, Léo Bigode, Marcio JR, Léo Razuk, João Lucas, Pablo Kossa, Eduardo Mesquita e todo o resto por ter uma cena rock tão massa.
Obrigada novamente ao Marcio por ter terminado o promo do Dimitri Pellz a tempo de ser lançado junto ao show.
Obrigada às bandas de fora que já viraram amigas e as outras também.
Obrigada aos jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, que estão fazendo com certeza um trabalho melhor que eu aqui, tentando ilustrar um pouco dessa insanidade coletiva que foi o Bananada desse ano.
E para deixar claro que não sou uma boazinha ou contente com qualquer coisa, as bandas que não foram citadas ou eu não gostei, ou eu não vi. E que culpa eu tenho se nosso novo rock é tão bom?
Eu vou dormir, por três dias sem parar, mas com certeza a seqüela desse festival será irreparável.
E que venha mais rock!



ERREI:
Jorge Nascimento diz:
e toma cachaça, carai não é do jeremias...
Jorge Nascimento diz:
é de outro cara do sem meias palavras...
bayou babe and the one girl reptile band diz:
claro que não
bayou babe and the one girl reptile band diz:
é do jeremias
Jorge Nascimento diz:
quer valer quanto?
Jorge Nascimento diz:
50 paus?
bayou babe and the one girl reptile band diz:
quero valer nada
bayou babe and the one girl reptile band diz:
eu faço uma erratinha
bayou babe and the one girl reptile band diz:
e já era...






sábado, 18 de novembro de 2006

Ataque de Nervos

Dirigindo, 80Km/h, tendo uma normal discussão sobre divergências familiares e “GAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!”. Ataque de nervos.

O sangue da ponta do dedo do pé sobe até a testa passando com dificuldade pelo pescoço, chega até a testa com vontade de explodir. Aliás, a vontade é de explodir mesmo, enfiar o carro num poste e esperar até explodir.

Depois daqueles 10 segundos de raiva extrema, você entende a loucura dos assassinos, suicidas, sádicos e masoquistas. Imagina se há possibilidade de alguém ter aquele sentimento quase o tempo inteiro? Deve ser assustador. Mas há quem diga também que depois dessa raiva vem um sentimento muito bom, quase que um “pós-gozo”, mas somente se você extravasa essa raiva de alguma forma. Eu sugiro o grito, é mais saudável. Tem gente que se suicida, tem gente que se mata, ou em proporções menores, tem gente que dá um soco na parede (quebra a mão), joga um copo no chão (quebra o copo, corta a mão...).

Mas a vontade mesmo é de socar alguém, qualquer pessoa, de preferência alguém que se odeie. Mas bater simplesmente pelo prazer de ver o sangue jorrar. Doentio? Duvido que você nunca pensou nisso, pelo menos uma vez na vida. Todo mundo, tem um Mickey ou uma Mallory Knox escondido ali no fundo.
TODO MUNDO.

Música de ressaca do dia: Patti Smith – Rock and Roll Nigger

Imagem de ressaca do dia:
















(Cigarro. Foto por Letz)

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Insônia

Passar a noite em claro, nem sempre é tão solitário e depressivo como se imagina, porque as vezes, você simplesmente não consegue dormir. Não por estar pensando nas merdas da tua vida, ou naquela pessoa amada ou sei lá qual outro motivo, realmente está sem sono.

Julia passa por isso quase todas as noites, já faz parte de sua personalidade passar as noites em claro, aproveitando tudo o que a lua e a madrugada tem para oferecer. Nem sempre tem motivo, e às vezes, tem. Como quando ela ficou sem dormir de noite porque passou a tarde toda cochilando no sofá. Ou quando perdeu o sono pensando se aquele certo rapaz estava pensando nela, mesmo estando tão longe dali. Ou ainda quando ela sabia que algo de muito bom estava pra acontecer ali no dia seguinte e ficava tão ansiosa, que acabava ficando acordada pensando em como seria.

Sem contar as incontáveis noites que Julia passou em claro por estar apenas se divertindo, afinal a madrugada é ou não o melhor período do dia para se divertir?

Quando parece que tudo pode acontecer, e o melhor (ou pior, em alguns casos) é que acontece, coisas que você nem imagina, e que deixam surpresa até Julia, a menina que passa as noites em claro.

Antes de julgar e xingar, lembre-se, TODO notívago tem seu valor.

Música de ressaca do dia: Bob Dylan – Honey, just allow me one more chance

Imagem de ressaca do dia:
















(Meu quarto. Foto por Letz)

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

A azarada

Sabe o que eu estava pensando durante meu ócio nada criativo de hoje? Bom, minha fama de desastrada e “azarada” é universal, né? Todo mundo que me conhece, sabe que sou um desastre ambulante e que por isso, acabo “atraindo” (não no sentido místico da palavra, urgh) algumas outras ruins.

Enfim, o que eu tava pensando é, que em dias de ócio total onde muita gente pode chamar de “perda de tempo”, nada disso acontece, eu não quebro copos, não caio, não apanho na rua, não sou atropelada, nem nada! Isso pode parecer uma boa desculpa pra não fazer nada, e se um escritor de livro de auto-ajuda visse isso, poderia dizer algo do tipo: “Enfrente seus medos, não adianta ficar parada”, aquelas baboseiras que todo mundo sabe. O que eu quero dizer é, eu sei que é bom fazer outras coisas da vida, e que infelizmente esses desastres continuaram acontecendo, eu já até me acostumei com a maioria, aliás. O lance é que me conforta saber que ali, naquele momento pleno da preguiça, isso não acontece e tem grandes chances de NUNCA acontecer. Esse é mais um ótimo motivo para eu gostar tanto de dias de ressaca.

Quem foi o mané que disse que as pessoas devem estar 24/7 felizes, agitadas, trabalhando, se movimentando e tudo mais? Céus, isso é coisa de doente até. Aquelas pessoas obcecadas por alcançar o estilo de vida ideal.

Ideal mesmo é ir com a corrente, deixar de certa forma que os acontecimentos façam parte da sua vida e viver intensamente tudo que acontece, para depois não se lamentar que perdeu boa parte do “filme”.

--

Mudando MUITO de assunto, hoje eu descobri onde quero morar pro resto da vida. Agora falta descobrir COMO, HAHA: http://www.youtube.com/watch?v=JdVeB3ieMYg


Música de ressaca do dia: Johnny Cash feat. Nick Cave – I’m so lonesome I could cry

Imagem de ressaca do dia:














(Brasília-DF, lanchonete Marvin. Foto por Letz)

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Diário de ressacas

É quase sempre assim, balada, cachaça, risadas, cachaça, rock, cachaça noite a dentro. Aí você acorda no meio do dia seguinte com sintomas variados, dependendo da quantidade de álcool ingerida (ou não!), sintomas que vão de arrependimento a alegrias, passando por dores, confusão, amnésia, vergonha e preguiça.

A verdade é que a ressaca não é prioridade dos bêbados de plantão, a tal da ressaca moral ataca quem não bebe também, afinal, quem não faz merda na vida, né?

Ressaca, assim como o álcool e o rock já fazem parte da minha vida e de muita gente que eu conheço, mas a maioria não sabe aproveitar esse momento mágico com sabedoria. O dia seguinte pode ser até melhor que a balada em si, em alguns casos. Todos os passos desse processo lindo que é o rock são de importância incontável, não dá pra pular a balada, a bebedeira, os micos, as músicas e muito menos ressaca, seja qual for a escala.

Acordar com o almoço servido, aquela comida GOSTOSA (tem que ser gostosa!), um suco ou refrigerante para acompanhar, comer e beber muito bem, deitar no sofá e passar o resto da tarde assistindo às reprises de seriados da SONY e cochilando, com a brisa entrando pela porta, no fim de noite jantar outra comida gostosa e gastar um tempo na internet ouvindo músicas de ressaca (assunto pra outro dia). Passar o dia inteiro lembrando do que aconteceu na noite passada, ou pelo menos tentando lembrar e tirando proveito daquele lindo momento de vagabundagem nada produtivo. O puro creme do ócio. Aquela pequena vontade de morrer, sem o contexto emo ou gótico da palavra, só deixar de existir um “pouquinho”. Uma paixão que deve ser vivida com força.

O que seria do mundo sem rock, do rock sem balada, da balada sem bebedeira, e céus, o que seria das bebedeiras sem a ressaca?

Ok, reformulando, o que seria da minha vida? NADA.

Música de ressaca do dia: Tom Waits – Ice Cream Man

Imagem de ressaca do dia: